Orgânicos: saiba o que são e como identificá-los

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Você sabe diferenciar…

Orgânicos de convencionais?

 

Cada vez mais pessoas estão aderindo ao consumo de orgânicos. Seja de produtos frescos, que vêm direto do campo — frutas, legumes e hortaliças —, ou alimentos processados e industrializados, como grãos, biscoitos e refrigerante.

Porém, mesmo com o crescimento, sabemos que o acesso a esse tipo de produtos ainda é muito restrito — menos de 15% da população urbana do país tem acesso. Ou seja: há muitas barreiras que impossibilitam (ou dificultam) a expansão do consumo de orgânicos no Brasil.

Ouvimos falar muito sobre o preço e a oferta restrita (tanto em variedade quanto em disponibilidade) e até mesmo sobre a aparência dos produtos — infelizmente, muita gente ainda se preocupa com isso e é comum as pessoas não comprarem uma fruta feia. Há muito material sobre esses assuntos e, pra fazer diferente, a gente entende que é necessário dar um passo atrás e tentar entender, na raiz do problema, porque o orgânico ainda não é para todos.

Por isso, estamos aqui para falar de:

  • Diferenças básicas de produção

  • O certificado importa

  • Afinal, por que ainda é mais caro?

  • Como identificar orgânicos

  • E onde encontrá-los


Diferenças produtivas básicas

Antes de qualquer coisa, é necessário saber quais são as características de uma produção orgânica. Por definição, alimentos orgânicos são aqueles que têm origem em sistemas agrícolas sustentáveis, que não permitem o uso de produtos químicos sintéticos, muito tóxicos e prejudiciais para a nossa saúde e a do meio ambiente.

Isso inclui variações de fertilizantes e dos famosos agrotóxicos, além de organismos geneticamente modificados (em inglês, GMOs).

"Mas então, o que pode ser usado nas produções?"

É simples, e como sempre foi e ainda deveria ser: fertilizantes naturais aliados à manutenção preventiva do solo, à rotação de culturas, ao uso inteligente da biodiversidade (o que inclui consórcio de culturas), compostagem orgânica, adubação verde controle biológico de doenças, pragas e insetos.

Agora, já pensou no que essa mudança na forma de produzir significa, na prática, para você, consumidor da vida urbana moderna?

Consumir alimentos orgânicos, sejam eles produtos naturais ou não, também significa apoiar um tipo de produção que, na essência, prioriza o bem-estar das pessoas e do planeta. E, ao mesmo tempo, é um resgate aos bons e velhos hábitos alimentares com um olhar cuidadoso e atento para o futuro: as nossas próximas gerações.

Vale lembrar que vários dos químicos liberados na agricultura convencional no Brasil são proibidos em outros países, principalmente na Europa e nos EUA, e o número de agrotóxicos proibidos no mundo, mas liberados aqui já soma 239 substâncias. Ou seja: muitas vezes nos alimentamos daquilo que os outros não tem coragem nem de produzir, quanto mais de comer.

Afinal, por que é mais caro?

Já falamos sobre este assunto aqui, mas vale repetir. Em média, alimentos orgânicos são 30% mais caros do que alimentos convencionais. E o motivo dessa diferença é simples: existem mais barreiras (isto é, custos) para certificar que um produto orgânico é, de fato, orgânico.

Por esse motivo, e também pelo tamanho, ainda limitado, da demanda, o preço final acaba sendo maior — mesmo em casos em que o custo da produção é semelhante à versão convencional do alimento. Outro ponto importante a se considerar é que em geral nós comparamos preço sem comparar valor, ignorando toda a forma de produção ou impacto por trás daquele produto para que chegue até nós com um preço menor.

Pensa aí: afinal, quem paga a diferença de um produto convencional mais barato?

Fica a reflexão. Mas como a gente não gosta de te deixar na mão, pensamos que seria importante você saber outro ponto que tem efeito direto no preço:

Quem consome orgânicos come menos e é mais saudável.

Portanto, você acaba gastando menos dinheiro com comida (e com remédios também!).

O certificado importa

Não há dúvida de que o certificado é importante, pois ele é a única maneira de garantir de ponta a ponta que aquele alimento é orgânico, respeitando todos os elementos básicos necessários desse tipo de produção.

Em entrevista recente para a OrganisAlexandre Schuch, da certificadora ECOCERT BRASIL, falou sobre os bastidores do processo de certificação de um alimento como orgânico. Diante de tantos questionamentos de produtores, consumidores e até da mídia sobre o nível de segurança do selo, ele falou um pouco sobre o processo de garantia:

"O sistema de certificação é baseado em método, procedimentos e inclusive sanções, além de ser totalmente regulado por Lei."

Todas as certificadoras são auditadas anualmente. No caso do Brasil, isso é feito pelo MAPA e Inmetro, que verificam minuciosamente esse trabalho de verificação. Caso haja uma não-conformidade grave, a certificadora pode ser suspensa.

E claro, nunca é demais convidar você, consumidor, a participar desse processo, seja comprando diretamente de produtores ou mesmo indo em feiras, questionando e se envolvendo na causa dos orgânicos.

Como identificar

A resposta aqui é fácil: se o produto tem o selo de Orgânicos do Brasil e/ou de uma certificadora autorizada, com dados de origem vinculado ao produto (com o nome de quem produziu e onde foi feito, pode comprar que é orgânico mesmo.

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Você também pode comprar através de venda direta, em feiras livres e outros modelos que priorizam a relação do consumidor com o produtor. No Clube Orgânico, que é um clube de assinatura de cestas de orgânicos, todos os produtos contidos na cesta são orgânicos certificados diretamente pelos próprios produtores, que entregam sua produção junto do certificado para o controle dos assinantes.

Agora, se você já ouviu alguém falar que:

  • É orgânico porque é pequeno

  • Ou tem um formato estranho

Saiba que esses argumentos são mitos do nosso universo. Alimentos orgânicos não são necessariamente menores (como a couve gigante que você na foto desse post) ou fora de padrão estético — essas são apenas características de uma produção que ainda não chegou no seu potencial máximo. Ah, e também tem outro fator muito importante: na produção orgânica, dificilmente se aceita desperdiçar um alimento apenas por sua aparência, por isso é tão comum ver produtos menores ou "feios" à venda no mercado orgânico.

Vender (e comprar) esse tipo de alimento é uma forma de respeitar todo o processo envolvido na produção dele:

Energia e tempo para transformar semente em comida de verdade.

Onde comprar?

Chegou até aqui? Que bom saber que você está com a gente na busca por uma vida mais orgânica! Hoje em dia, alimentos orgânicos são encontrados mais facilmente nas grandes cidades, em feiras e também já disponíveis em algumas redes de mercado. Porém, é no online que uma silenciosa (e importante) revolução da comida vem acontecendo — todos os dias.

Plataformas que se dedicam a promover uma conexão direta entre consumidores e produtores de alimentos orgânicos estão cada vez mais em alta, graças a um modelo moderno que promove relações mais transparentes e mais justas.

E as formas de comprar são muitas: seja pelo Instagram, Facebook e até pelo WhatsApp, diversos sites pelo Brasil tornam esse tipo de alimento mais fácil e acessível. O Clube Orgânico conecta consumidores do Rio de Janeiro e de Niterói com entregas de frutas, legumes e verduras semanais, quinzenais e mensais em todos os bairros.

Procure na sua região.

Se envolva e se conecte à boa comida: limpa, local e justa. Mudar individualmente sua forma de consumo é o primeiro passo que podemos dar em direção à mudança que queremos ver no mundo — uma cesta de cada vez.


Você conhece as cestas do Clube Orgânico?

Entrega de orgânicos produzidos localmente: faz bem para você, e é ainda melhor para o planeta.

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Cestas orgânicas