Desmistificando: agricultura sintrópica

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Ernst Götsch e a sintropia


Solo empobrecido, florestas desmatadas, rios secando. Foi esse o cenário que o suíço Ernst Götsch encontrou quando chegou ao Brasil na década de 80. 

Ernst Götsch, idealizador da agricultura sintrópica.   Créditos da imagem

Ernst Götsch, idealizador da agricultura sintrópica.

Créditos da imagem

Idealizador da agricultura sintrópica, Götsch é agricultor e pesquisador. Em seu trabalho de pesquisa em melhoramento genético na Suíça, se questionou: “E se nós melhorássemos as condições que damos às plantas ao invés de ficar tentando buscar características genéticas nelas que as façam aguentar os nossos maus tratos?. E foi aí que começou a redirecionar seu trabalho para o desenvolvimento da agricultura sustentável.

Götsch chegou ao Brasil em 1982 e em 1984 adquiriu uma fazenda em Piraí do Norte/BA, hoje conhecida como Fazenda Olhos D’água, devido à quantidade de nascentes que foram recuperadas graças ao trabalho sintrópico desenvolvido por ele.

Na agricultura sintrópica, as plantas são cultivadas em modelo de consórcio - isto é, em pequenos agrupamentos - e dispostas em linhas paralelas, intercalando sempre espécies de características e portes diferentes, para aproveitar o terreno ao máximo. Basicamente, o modelo busca recriar um agroecossistema o mais natural possível, semelhante ao ecossistema natural. Nesse tipo de produção leva-se sempre em consideração a manutenção e reintrodução de espécies nativas e, à medida que os ciclos de plantio ocorrem, o solo vai se enriquecendo com a matéria orgânica restante do ciclo interior.

No modelo sintrópico não há uso de controladores químicos, como herbicidas, inseticidas e fertilizantes. É um tipo de agricultura 100% orgânica, que respeita os ciclos naturais de crescimento das plantas, acelerando o processo de recuperação do solo e do ecossistema. Nas fazendas sintrópicas, os insetos e outros organismos não são vistos como inimigos do plantio, e sim como sinalizadores de deficiências no sistema, que ajudam o produtor a compreender as falhas ou necessidades daquele cultivo.

A virada do convencional, de Life in Sintropy, mostra como produtores agrícolas convencionais mudaram completamente a forma de produzir com a agricultura sintrópica.

O método permite a rápida recuperação de pastos abandonados, cujos solos sofreram degradação, transformando-os em sistemas altamente produtivos. Além disso, também é economicamente viável, pois a produção demanda um baixo investimento, já que exige pouca irrigação e não utiliza agrotóxicos e outros produtos químicos.

Hoje, a agricultura sintrópica vem crescendo no Brasil. A Agenda Götsch, legado de Ernst Götsch no Brasil, desempenha um importante papel de educação na área da agroecologia, para trabalhar a favor da natureza e não contra ela, associar cultivos agrícolas com florestais, recuperar recursos ao invés de explorá-los e incorporar conceitos ecológicos no manejo dos agroecossistemas.


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